15/11/2006

Por Tierras de Portugal y de España

Encontrei Por Tierras de Portugal y de España, de Miguel de Unamuno (Alianza Ed.), numa livraria de Lisboa. Li-o com muito prazer, e com especial interesse (como é natural) a parte que se refere às suas passagens por Portugal, nomeadamente as impressões que deixa sobre o difícil período que por aqui então se vivia: o regicídio, a queda da monarquia e a implantação da república.

Unamuno revela um conhecimento desconcertante das matizes do povo português, dos seus atavismos e idiossincrasias, e não hesita em fazer comparações no âmbito mais vasto da península. Ele priva com intelectuais portugueses e está à-vontade com a poesia e literatura do país, assim como com as suas questões políticas e religiosas. Testemunha da transição, Unamuno deixa uma impressão forte (e que bem escrita!) desses anos difíceis; e abre uma janela aos espanhóis que queiram espreitar os portugueses de há cem anos. Eu, por mim, reconheci-os...

Entretanto acabei por descobrir o livro, completo, na Internet: está aqui.

6 comentarios:

JB dijo...

O desenho, não é preciso dizê-lo, é do autor do post :o)

silmarillion dijo...

JB
Gracias por el libro. Será leído :)
Gracias por el dibujo :)
Siempre un placer leerte

Anónimo dijo...

Esse é um dos livros que já há muito tempo anda na minha lista de futuras leituras(há anos direi)...Não sei se conheces o Manuel Laranjeira, um nosso especial pensador, que privou com o Unamuno.
Aconselho os dois volumes da obra completa (ed.Asa) que reúne as peças de teatro, a poesia, o diário íntimo, correspondência, assim como os seus escritos acutilantes sobre a mentalidade portuguesa da época(e tantos aspectos desta parecem ser intemporais...).

Inês C.

JB dijo...

Inês,

conheço alguma poesia dele, mas da Relógio d'Água, acho (a minha casa é um caos na fase primordial (antes da expansão) e não sei onde está para confirmar :). Vou decerto procurar esses da Asa. Mas para memorialista da época, o meu favorito continua a ser o Raúl Brandão.

JB dijo...

Raul, não Raúl. :)

lusina dijo...

Nao conheço o Manuel Larangeira, mas concordo, o meu favorito é também Raul Brandao (sem accento, desculpa, teclado francês...